Dias Toffoli 03 E1694006416901 Dias Toffoli 03 E1694006416901

PF reage a críticas de Toffoli e nega ‘inércia’ em operação sobre o Caso Master

Investigadores afirmam que aguardaram dados essenciais para cumprir mandados autorizados pelo STF

Investigadores da (PF) rebateram as críticas feitas pelo ministro Dias Toffoli, do Tribunal Federal (STF), sobre uma suposta “inércia” da corporação na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Segundo Toffoli, as diligências deflagradas nesta quarta-feira (14) já estavam autorizadas desde o dia 7, e a demora teria revelado “falta de empenho” por parte da PF. A avaliação, porém, é contestada por integrantes da investigação.

PF diz que aguardava informações indispensáveis

De acordo com uma fonte próxima ao inquérito, ouvida sob reserva pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, a versão apresentada pelo ministro não reflete a realidade do trabalho policial.
Pelo contrário, passamos meses aguardando essa operação”, afirmou um investigador, ressaltando que a corporação ainda não dispunha de todos os endereços necessários para o cumprimento simultâneo dos mandados.

Segundo a PF, o último endereço só foi confirmado na noite de terça-feira (13), o que levou a corporação a acionar o STF em caráter de urgência para pedir novas medidas cautelares.

Decisão judicial cita “falta de empenho”

Na decisão em que autorizou a preventiva de Fabiano Zettel — cunhado do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro — e concedeu mandados de busca e apreensão contra os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur, Toffoli registrou críticas diretas à atuação da PF.

O ministro afirmou ter autorizado a operação no dia 7 e determinado que as diligências fossem cumpridas em até 24 horas a partir do dia 12, citando a gravidade dos fatos e a existência de “fartos indícios de práticas criminosas”.

Causa espécie a este relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, como também a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial”, escreveu Toffoli. Para o ministro, a PF teria tido tempo suficiente para planejamento, e o atraso poderia gerar e ineficácia das providências.

PGR deu aval às medidas emergenciais

Os investigadores sustentam que a atuação ocorreu assim que os elementos necessários foram reunidos. A PF acionou o STF às 19h13 de terça-feira, solicitando a prisão preventiva de Zettel e buscas contra Tanure. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente às 20h49, pouco mais de uma hora depois, e o pedido foi acolhido por Toffoli, ainda que com ressalvas.

No caso de Fabiano Zettel, a PF alegou que seu embarque para Dubai, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, representava uma “oportunidade única” para obtenção de provas relevantes, inclusive sobre outros crimes. Ele foi preso na manhã desta quarta-feira (14).

Abordagens em aeroportos e alvos no exterior

Em relação a Nelson Tanure, abordado no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, durante o embarque para Curitiba (PR), a PF justificou a busca e apreensão no local para evitar que o empresário deixasse sua residência antes do horário legal para cumprimento de mandados, fixado em 5h.

Outro alvo da operação é João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, administradora de fundos suspeitos de integrar o esquema investigado. Conforme noticiado pelo colunista Lauro Jardim, do O Globo, Mansur está no exterior.

Histórico de atritos no Caso Master

Este não é o primeiro episódio de tensão entre a PF e o gabinete de Toffoli no âmbito do Caso Master. Em dezembro, o depoimento de Daniel Vorcaro no STF foi marcado por desconforto entre a equipe de delegados da PF, liderada por Janaina Palazzo, e procuradores da República.

Na ocasião, Toffoli determinou que 82 perguntas fossem feitas ao banqueiro. A delegada afirmou que não poderia formular questionamentos que não tivessem sido previamente preparados por ela, concordando em submetê-los apenas após constar em ata que as perguntas haviam sido elaboradas pelo gabinete do relator.

As questões estavam organizadas em seis blocos e tratavam, entre outros temas, da venda do Banco Master ao BRB e de uma reunião de Vorcaro com integrantes do Banco Central, realizada em 17 de novembro, o mesmo dia em que ele acabou preso por decisão da Federal de Brasília.

Veja também

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *