Repressão do regime iraniano mata ao menos 12 crianças durante protestos no país

Organizações de direitos humanos relatam escalada de violência e pedem queda do governo

As forças de repressão do mataram ao menos 12 crianças durante a mais recente onda de protestos que se espalhou pelo país. A informação foi divulgada pela Iran Human Rights (IRH), organização não governamental dedicada ao monitoramento de violações de direitos humanos no território iraniano.

Estimativas divulgadas na terça-feira (13) pela plataforma Irã Internacional indicam que as operações de repressão podem ter provocado até 12 mil mortes entre manifestantes. O veículo, mantido fora do país por dissidentes do regime, atribui os números a fontes anônimas ligadas à cúpula governamental.

Internet cortada e enterros impedidos

Segundo os relatos, a maior parte das mortes ocorreu a partir de 8 de janeiro, data em que o governo também suspendeu o acesso à internet. Entre as vítimas estão homens e mulheres de diversas idades, além das 12 crianças citadas pela IRH.

Há ainda denúncias de que familiares foram impedidos de enterrar seus mortos. Um dos casos mencionados envolve Rubina Aminian, de 23 anos, morta com um tiro na nuca durante as manifestações.

Uma face da tragédia

Rubina morreu em Teerã, onde morava e estudava moda. Sua cidade natal fica a cerca de 500 quilômetros da capital. Os pais viajaram até Teerã para reconhecer e buscar o corpo da filha e, ao retornarem, encontraram a residência lacrada por agentes da inteligência iraniana.

De acordo com a Iran Human Rights, os agentes informaram que o sepultamento em cemitério não estava autorizado. Diante da proibição, o casal teria sido obrigado a enterrar a jovem em uma estrada próxima.

Protestos evoluem para pedido de derrubada do regime

As manifestações tiveram início nos últimos dias de 2025, motivadas inicialmente pelo aumento do custo de vida. Com a ampliação da repressão, o movimento passou a exigir a derrubada do governo, caracterizado por críticos como uma ditadura de matiz islâmica.

Ditadura islâmica no Irã

O atual regime iraniano se consolidou em 1979, quando o país passou a ser governado por um aiatolá, líder religioso do alto clero islâmico. O termo significa literalmente “sinal de Deus”, e o ocupante do cargo exerce a função de Líder Supremo.

Desde 1989, o posto é ocupado por Ali Khamenei, sucessor de Ruhollah Khomeini, figura central na implantação da ditadura islâmica.

Antes disso, o Irã vivia sob uma monarquia laica, não democrática, mas de orientação pró-ocidental. Com a ascensão dos aiatolás, a interpretação religiosa do líder supremo passou a orientar a vida em sociedade. Homens e mulheres não possuem igualdade legal, homossexuais podem ser condenados à morte, e cristãos e judeus têm direitos restritos em relação aos muçulmanos.

Manifestantes classificados como “inimigos de Deus”

Durante a atual onda de protestos, o regime adotou uma retórica ainda mais dura. O procurador-geral do Irã, Mohammad Movahedi-Azad, classificou os manifestantes como “moharebs”, termo jurídico-religioso que significa “inimigos de Deus”.

Pela legislação iraniana, essa classificação permite a aplicação da pena de morte, o que elevou o temor internacional diante da intensificação da repressão e do número crescente de vítimas.

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