Naomi Butcher foi banida após apostar quando paciente morreria
O Conselho de Enfermagem e Obstetrícia do Reino Unido expulsou definitivamente a enfermeira Naomi Butcher, de 60 anos, após uma investigação revelar condutas consideradas “extremamente graves” pelo Comitê de Aptidão para o Exercício da Profissão.
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Condutas inadequadas em hospício inglês
Entre 2023 e 2024, Naomi atuava no St Peter e St James Hospice, localizado em Lewes, Inglaterra – uma instituição que se dedica ao atendimento compassivo de pacientes terminais. Durante este período, a profissional protagonizou uma série de episódios que culminaram em sua expulsão definitiva do conselho profissional.
A investigação apontou múltiplas falhas graves, incluindo administração inadequada de medicamentos, impedimento de visitas familiares e apostas sobre a morte de pacientes em cuidados paliativos.
Erros perigosos na medicação
Um dos casos mais alarmantes envolveu a administração de 50 mg de Midazolam – um benzodíazepínico usado para sedação – quando a dose prescrita era de apenas 5 mg. O erro colocou um paciente masculino em risco de morte, mas Naomi registrou no prontuário como se tivesse aplicado a dosagem correta.
No dia seguinte, outro paciente foi medicado erroneamente. Em vez de sulfato de morfina, ele recebeu oxicodona. Além disso, outros pacientes foram prejudicados pela administração insuficiente de medicamentos, com um deles chegando a apresentar falta de ar devido à dosagem incompleta.
Aposta macabra sobre morte no Natal
Em dezembro de 2023, Naomi fez um comentário que chocou colegas de trabalho: “Eu aposto com vocês que ele vai morrer na noite de Natal”, referindo-se a um paciente em cuidados paliativos.
Três meses após esta “aposta“, uma testemunha relatou que a enfermeira impediu familiares de visitarem o corpo de um parente falecido, alegando que se tratava de uma família da comunidade cigana com “prática própria de cremação”.
Preconceito e discriminação
Kelly Viner, enfermeira que testemunhou no caso, relatou: “Eu nunca tinha me deparado uma situação em que a família fosse impedida de ver seu ente querido. Naquele dia, eu estava com Naomi e outras duas pessoas nas mesas do consultório de enfermagem quando, preenchendo os prontuários. Então, Naomi disse que tinha recebido um telefonema da família do paciente falecido dizendo que queriam vê-lo novamente, mas ela negou à visita deles. Ela também disse que normalmente, os ciganos, queimam os corpos de falecidos em um trailer.”
O tribunal considerou estes comentários “inaceitáveis, degradantes e pouco profissionais”, declarando que a decisão de negar acesso ao corpo causou sofrimento emocional e psicológico adicional aos familiares.
Ausência de resposta às denúncias
Em março de 2024, enquanto estava de férias, Naomi recebeu um e-mail do St Peter e St James Hospice solicitando uma conversa sobre os erros de medicação, mas não respondeu. Seis dias depois, entrou em licença médica.
No dia 4 de abril daquele ano, o centro de cuidados compassivos formalizou uma denúncia ao Conselho de Enfermagem e Obstetrícia. Segundo o Comitê, Naomi “não tomou nenhuma medida para abordar as denúncias levantadas em relação à sua prática profissional”.
Em declaração ao “Daily Mail”, a ex-enfermeira afirmou que nunca deveria ter retornado aos cuidados paliativos e que problemas familiares contribuíram para seus erros. Ela disse ainda ter solicitado sua própria remoção do registro por duas vezes.
A exclusão do registro será efetivada após o prazo de 28 dias para eventual pedido de recurso.