“Bem inspirada, talvez, no início, ela produziu uma série de distorções no sistema jurídico político”, afirmou o ministro. “Terminou como uma verdadeira organização criminosa.”
No ano passado, o juiz argumentou que soltar pessoas após uma delação era “uma vergonha”. “Não podemos ter esse tipo de ônus. Coisa de pervertidos”, exclamou Gilmar Mendes. “Claramente se tratava de prática de tortura usando o poder do Estado.”
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Entrar no grupo No contexto da Lava Jato, Gilmar Mendes desempenhou um papel crucial em decisões que determinaram o curso da operação, cujo foco eram indivíduos envolvidos em “corrupção”.
O ministro deu a ordem de considerar a 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba incompetente e anulou as ações penais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, o ministro votou a favor de classificar o ex-juiz e agora senador Sergio Moro (União-PR) como tendencioso em processos da operação.
Silêncio de Gilmar Mendes sobre possibilidade de anulação de delação de Mauro Cid pela Polícia Federal
Ainda não houve comentários por parte de Gilmar Mendes sobre a possibilidade de a delação premiada feita pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência da República, ser anulada pela Polícia Federal (PF). Em gravações, o militar expressa críticas à PF e ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
As gravações divulgadas pela Veja revelam a decepção de Cid em relação à atitude de Moraes. Conforme o militar, o ministro já determinou a condenação dos apoiadores do ex-presidente.
“O Alexandre de Moraes já tem a sentença dele pronta”, afirmou o militar. “Acho que essa é a grande verdade. Só está esperando passar um tempo. O momento que ele achar conveniente, denuncia todo mundo, o PGR acata, aceita e ele prende todo mundo.”
Nos registros sonoros, o tenente-coronel também expressa que se viu forçado a admitir ações que não realizou. O ex-assessor de Bolsonaro alegou que foi ameaçado de ser privado dos benefícios derivados da delação premiada.
A defesa de Mauro Cid não negou a veracidade dos áudios. Em nota, afirma que as falas “não passam de um desabafo, em que relata o difícil momento e a angústia pessoal, familiar e profissional pelos quais está passando, advindos da investigação e dos efeitos que ela produz perante a sociedade, familiares e colegas de farda”. As informações são da Revista Oeste.