STF suspende julgamento sobre nepotismo em cargos políticos após pedido de vista de Gilmar Mendes STF suspende julgamento sobre nepotismo em cargos políticos após pedido de vista de Gilmar Mendes

Gilmar Mendes pede vista e trava decisão sobre nepotismo em cargos políticos

Decano do Supremo terá até 90 dias para analisar processo que discute nomeação de parentes para funções de caráter político

A análise do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a legalidade de nomear parentes para foi interrompida nesta quarta-feira, 15 de abril. O responsável pela paralisação foi o ministro , decano da Corte, que solicitou pedido de vista e agora dispõe de até 90 dias para estudar o processo antes que o julgamento seja retomado.

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Caso concreto envolve município paulista de Tupã

A discussão no STF tem origem em um recurso do município de Tupã, no interior de , que contesta decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). A corte estadual havia declarado inconstitucional uma lei municipal que autorizava a nomeação de parentes — até terceiro grau, consanguíneos ou afins — das autoridades nomeantes para o cargo de secretário municipal.

O tema possui , o que significa que a decisão do STF servirá de referência para casos semelhantes em todo o país.

Relator Luiz Fux reajusta voto e endurece posição contra nepotismo

Na sessão desta quarta-feira, o relator do caso, ministro , apresentou um reajuste em seu voto. Em 2025, Fux havia se posicionado favoravelmente à possibilidade de nomeações de parentes para cargos políticos, desde que fossem respeitados critérios como qualificação técnica, idoneidade moral e vedação ao nepotismo cruzado. Na ocasião, cinco ministros acompanharam esse entendimento.

Agora, porém, Fux mudou de direção. O novo posicionamento reconhece que a proibição ao nepotismo deve alcançar também os cargos de natureza política. A única exceção admitida pelo relator ocorre em situações nas quais não haja terceiros aptos ou disponíveis para assumir a função.

“Quando não tem quem nomear, pode-se ter nesse caso um caráter excepcional”, declarou o ministro durante a sessão. Fux ainda precisa apresentar a tese final sobre o julgamento.

Votação parcial e próximos passos

Antes da suspensão provocada pelo pedido de vista de Gilmar Mendes, o ministro Flávio Dino também já havia votado. Tanto Dino quanto Fux se manifestaram pela negativa do recurso apresentado pelo município de Tupã, mantendo a decisão do TJ-SP que barrou a lei municipal permissiva.

O julgamento permanecerá suspenso até que Gilmar Mendes devolva o processo ao plenário. Pelo regimento do STF, o prazo máximo para análise após um pedido de vista é de 90 dias.


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