Operação Contaminatio revela plano do PCC para infiltrar prefeituras e lavar dinheiro em São Paulo
Polícia Civil desarticula esquema do PCC para infiltrar prefeituras paulistas com fintech criminosa e financiar campanhas eleitorais, bloqueando R$ 513 milhões
Por ContraFatos 27/04/2026 Atualizado em 27/04/2026
Polícia Civil de São Paulo | Foto: Divulgação/PCSP
Justiça bloqueia R$ 513 milhões e seis pessoas são presas em ação que desvendou esquema da facção para dominar administrações municipais
Um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) para se infiltrar em prefeituras de São Paulo foi desarticulado na manhã desta segunda-feira, 27 de abril. A Operação Contaminatio, conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes (SP), resultou na prisão de seis pessoas e no cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão, além de cinco mandados de prisão.
Fintech da facção era peça central do esquema
A investigação revelou que o braço financeiro do PCC pretendia inserir uma fintech controlada pela facção dentro das administrações municipais. O objetivo era administrar receitas públicas — como taxas, impostos e boletos — para viabilizar a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de entorpecentes.
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Seis pessoas politicamente expostas foram identificadas ocupando cargos de primeiro escalão em municípios das regiões de Santos, ABC Paulista, Campinas e Ribeirão Preto. Entre os envolvidos, o inquérito destaca uma servidora comissionada com ligação direta à cúpula da organização criminosa.
PCC planejava financiar campanhas eleitorais
Outro aspecto grave descoberto pelos investigadores foi o projeto da facção para lançar candidatos nas eleições municipais de 2024. Segundo a apuração policial, o PCC pretendia financiar campanhas para eleger aliados tanto no âmbito municipal quanto no estadual, ampliando sua influência sobre o poder público.
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A Justiça determinou o bloqueio de R$ 513,7 milhões em ativos dos investigados. As diligências da Operação Contaminatio não se limitaram ao Estado de São Paulo: agentes atuaram simultaneamente em cidades de Goiás, Paraná e no Distrito Federal.
Até o momento, nenhum dos alvos possui foro privilegiado ou exerce mandato eletivo. A ação é um desdobramento direto da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024, que já havia detectado um esquema estruturado de lavagem de dinheiro originário do tráfico de drogas.