Além dos precatórios, a estatal constituiu provisões de R$ 2,63 bilhões para cobrir possíveis perdas em ações trabalhistas relacionadas a adicionais pagos a funcionários da distribuição externa, o que também contribuiu para inflar o rombo.
Queda nas encomendas internacionais derruba receita
A receita bruta dos Correios recuou para R$ 17,3 bilhões, uma retração de 11,35% frente a 2024. O golpe mais significativo veio da redução no fluxo de encomendas internacionais, que despencou cerca de 66%. Essa queda foi consequência direta de mudanças nas regras de tributação sobre importações de baixo valor — conhecidas popularmente como a taxa da “blusinha” —, que alteraram rotas do comércio eletrônico e reduziram drasticamente o volume processado pela empresa.
Receba no WhatsApp as principais noticias do diaEntre no grupo do ContraFatos e acompanhe os destaques em primeira mao.
Entrar no grupo Gestão Lula não consegue equilibrar as contas
Desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023, as finanças dos Correios não pararam de se deteriorar. Logo ao assumir, Lula nomeou Fabiano Silva dos Santos para a presidência da estatal. O período sob comando de Santos foi marcado por queda nas receitas e piora financeira, especialmente no segmento de encomendas internacionais.
Em setembro de 2025, diante do agravamento do prejuízo bilionário e das crescentes críticas à gestão da companhia, Santos deixou o cargo. Em seu lugar, o governo escolheu Emmanoel Schmidt Rondon, com a missão de conduzir um processo de reestruturação e tentar estabilizar as contas da estatal.
PDV fica abaixo da meta e patrimônio líquido é negativo
Pressionados pelos gastos estratosféricos, os Correios lançaram um Plano de Demissão Voluntária (PDV). Entre fevereiro e abril de 2025, 3.181 funcionários aderiram ao programa — número muito aquém da meta inicial, que era de aproximadamente 10 mil desligamentos. Somando as duas rodadas do plano, realizadas em 2024 e 2025, 3.756 empregados deixaram a estatal. A economia estimada é de R$ 147,1 milhões em 2025 e cerca de R$ 775,7 milhões em 2026.
Apesar dessas medidas de contenção, a empresa encerrou o período com patrimônio líquido negativo de R$ 13,1 bilhões, reflexo do acúmulo de perdas ao longo dos últimos anos.
Busca por apoio financeiro
Diante da severa pressão sobre o caixa, a estatal recorreu ao sistema financeiro em busca de apoio para manter suas operações em funcionamento.