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Site afirma que relatório do escritório da esposa de Moraes desapareceu dos sistemas da CGU

Reportagem do site O Antagonista aponta divergências nas datas informadas pelo escritório de Viviane Barci

Uma reportagem do site O Antagonista informou que o relatório de autoavaliação do Pacto referente ao Banco Master deixou de aparecer no sistema da Controladoria-Geral da União (CGU) depois que foram identificadas possíveis inconsistências nas datas relacionadas ao documento.

Segundo a publicação, o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, declarou que entre os serviços prestados ao Banco Master estava o preenchimento da autoavaliação do Pacto Brasil, realizado em 25 de setembro e 9 de outubro de 2025.

Relatório do Banco Master incluído nos sistemas da CGU e disponibilizado em 10 de março

Sistema da CGU indicava outra data

De acordo com a reportagem de O Antagonista, dados disponíveis na plataforma do programa da CGU indicavam que o formulário havia sido preenchido em 13 de março do ano anterior, cerca de seis meses antes das datas mencionadas na nota divulgada pelo escritório.

O Pacto Brasil é uma iniciativa da Controladoria-Geral da União que convida empresas e entidades privadas a assumir compromisso público com integridade e transparência no ambiente de negócios.

Após polêmicas, sistemas da CGU não tem mais relatório apresentado pelo escritório da esposa de Moraes

Como funciona a autoavaliação

O formulário do programa é preenchido pela própria empresa participante, sem auditoria prévia do órgão.

Entre os temas abordados estão perguntas sobre:

  • existência de código de ética publicado
  • políticas de compliance e governança
  • mecanismos de prevenção à corrupção
  • apoio da alta direção às práticas de integridade
  • presença de controles internos e gestão de riscos.

Relatório deixou de aparecer no sistema

A reportagem afirma que teve acesso a uma captura de tela do relatório do Banco Master extraída em 10 de março deste ano.

No entanto, na manhã do dia 11 de março, o documento já não estava mais disponível para consulta pública na plataforma da CGU.

Código de ética teria sido aprovado depois

Outro ponto mencionado na reportagem envolve o código de ética do Banco Master.

No formulário enviado à CGU, o banco teria declarado que o documento já existia e estava disponível ao público.

Entretanto, o próprio relatório do código de ética da instituição indica data de 25 de março, ou seja, 12 dias depois do preenchimento do formulário da CGU.

Especialistas apontam inconsistências

Especialistas em auditoria bancária e compliance ouvidos pela reportagem afirmaram que as respostas apresentadas no questionário chamaram atenção.

O Banco Master teria marcado “sim” em todas as perguntas do formulário, algo considerado incomum para instituições financeiras que ainda estão estruturando seus programas de integridade.

Avaliação de especialista em auditoria

O especialista em auditoria, compliance e gestão de riscos Emerson Zanin, com mais de 30 anos de experiência no setor financeiro, afirmou que esse tipo de preenchimento levanta questionamentos.

“No questionário, a empresa informa se possui práticas como gestão de riscos de corrupção, controles internos, políticas de integridade e governança de compliance”, explicou.

Ele também destacou que empresas que aderem ao programa podem utilizar o selo de signatárias do Pacto Brasil em seus sites e materiais institucionais.

Fragilidade no programa, segundo especialista

Zanin observou ainda que a própria CGU informa que o uso da marca do programa não garante automaticamente a integridade da empresa.

Mesmo assim, segundo ele, essa distinção pode não ficar clara para o público.

“Apesar da CGU informar que o uso da marca Pacto Brasil não ratifica a ética, a legalidade ou idoneidade da instituição aderente e dos atos por ela praticados, isso não fica transparente para o público, ponto que, na minha opinião, é uma fragilidade desse programa.”

Respostas totalmente positivas chamaram atenção

O especialista também destacou que o padrão das respostas chamou atenção.

“Surpreendentemente o Banco Master apresentou um formulário com 100% das respostas SIM, algo incomum para uma instituição financeira que está na fase de estruturação de seus processos de compliance.”

O caso ocorre em meio às investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro, além de questionamentos sobre serviços jurídicos prestados pelo escritório Barci de Moraes à instituição financeira.

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