OPINIÃO

Três anos de silêncio, dois de constrangimento público e a seletividade de sempre

Quando o discurso oficial sobre direitos humanos encontra a conveniência do poder, a pressa desaparece.

Quando o discurso oficial sobre direitos humanos encontra a conveniência do poder, a pressa desaparece.

Três anos para denunciar. Quase dois anos desde que o caso se tornou público. E só então a engrenagem institucional resolveu se mover de forma mais visível contra o ex-ministro dos Direitos Humanos do governo , Silvio Almeida, agora denunciado pela Procuradoria-Geral da República por importunação sexual contra a atual ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. A pergunta é inevitável: se o acusado não fosse um nome simbólico de um governo que construiu parte de sua identidade pública em torno da retórica dos direitos, da proteção e da justiça social, essa demora seria a mesma?

É aí que mora o problema central. Não apenas no mérito gravíssimo da acusação, que deve ser apurado com rigor e dentro do devido processo legal, mas na impressionante lentidão de um sistema que costuma posar de vigilante moral quando o alvo está do lado “errado” do espectro político. Quando, porém, a acusação encosta no coração simbólico de um governo aliado, tudo vira sigilo, cautela, tramitação discreta e tempo em câmera lenta.

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