Senadores do PT assumem cadeiras na comissão que pede indiciamento de ministros do STF
Três senadores do Partido dos Trabalhadores foram incluídos na CPI do Crime Organizado nesta terça-feira, 14 de abril, após uma articulação que envolveu o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), integrantes do governo federal e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A mudança aconteceu justamente antes de o colegiado votar o relatório final, que havia sido divulgado mais cedo no mesmo dia.
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Relatório pede indiciamento de três ministros do STF e do PGR
O documento apresentado pela comissão solicita o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A tramitação do relatório acelerou as movimentações nos bastidores do Senado.
Ofício de Alcolumbre oficializou as trocas
Quem preside a CPI, o senador Fabiano Contarato (PT-ES), recebeu um ofício de Alcolumbre, elaborado após conversas com líderes partidários, formalizando as alterações na composição do colegiado. Com as mudanças, passaram a integrar a comissão os senadores Teresa Leitão (PT-PE), Camilo Santana (PT-CE) e Beto Faro (PT-PA).
Marcos do Val reage e classifica troca como “proteção ao crime”
O senador Marcos do Val (Avante-ES), ao chegar à sessão da CPI e constatar que seu nome havia sido retirado do painel de titulares, reagiu com indignação. Ele chamou o episódio de “proteção ao crime”.
“Estou presente na sessão como titular e, agora, no painel não aparece meu nome como titular”, observou o parlamentar. “É um absurdo o governo presidir a CPI do Crime Organizado, sendo que ele é o crime.”
Confira todas as substituições realizadas
- Marcos Rogério (PL-RO) assumiu o posto de Welligton Fagundes (PL-MT);
- Esperidião Amin (PP-SC) foi designado suplente;
- Soraya Thronicke (PSB-MS) assumiu o posto de Jorge Kajuru (PSB-GO);
- Teresa Leitão (PT-PE) assumiu o posto de Sergio Moro (PL-PR);
- Beto Faro (PT-BA) assumiu o posto de Marcos do Val (Avante-ES);
- Camilo Santana (PT-CE) assumiu o posto de Randolfe Rodrigues (PT-AP).
Composição sempre favorável ao governo
A CPI do Crime Organizado é formada por 11 membros titulares e sete suplentes. Desde sua instalação, a comissão mantém uma composição considerada favorável à base governista. O próprio presidente do colegiado, Fabiano Contarato (PT-ES), é filiado ao partido do governo.
A decisão final sobre o encaminhamento dos pedidos de indiciamento de ministros do STF contidos no relatório cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.