Oposição vê manobra do governo para impedir relatório sobre ministros do STF
Oposição denuncia substituições na CPI do Crime Organizado para impedir aprovação de relatório que pede impeachment de ministros do STF e indiciamento de Paulo Gonet
Por ContraFatos 14/04/2026 Atualizado em 14/04/2026
Oposição Denuncia Manobra Do Governo Lula Para Barrar Relatório Da CPI Que Pede Impeachment De Ministros Do STF
Trocas na composição da CPI do Crime Organizado são vistas como estratégia para proteger integrantes do Supremo e o procurador-geral da República
A última sessão da CPI do Crime Organizado no Senado, realizada nesta terça-feira (14), foi marcada por acusações graves de parlamentares da oposição. Segundo eles, a base aliada do governo Lula (PT) articulou uma série de substituições de membros do colegiado com o objetivo de impedir a aprovação do relatório final, documento que recomenda o indiciamento e a abertura de processos de impeachment contra três ministros do STF e contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Mudanças no colegiado alteraram o equilíbrio de forças
Ao menos quatro integrantes da comissão foram substituídos às vésperas da votação decisiva. As alterações partiram do bloco MDB-PSDB-Podemos-União Brasil, sob orientação do líder do MDB, senador Eduardo Braga (AM). Na avaliação de opositores, Braga agiu para prestar vassalagem ao governo Lula, conspirando contra seu próprio correligionário, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do relatório-bomba.
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Quem entrou e quem saiu da CPI
Entre os titulares, o senador Beto Faro (PT-PA) assumiu a vaga que era de Sergio Moro (PL-PR). A senadora Teresa Leitão (PT-PE) substituiu Marcos do Val (Avante-ES). Já a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) ocupou o lugar de Jorge Kajuru (PSD-GO).
No campo das suplências, o senador Camilo Santana (PT-CE) tomou a posição que pertencia a Randolfe Rodrigues (PT-AP). O senador Esperidião Amin (PP-SC) também foi indicado como suplente na nova configuração.
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Indignado com as movimentações, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) recorreu às redes sociais para denunciar a manobra. O parlamentar publicou: “URGENTE: PT e Centrão tentam ‘tomar de assalto’ CPI p/ blindar STF e PGR“.
Prorrogação negada pelo presidente do Senado encerra os trabalhos
Com quatro meses de funcionamento, a CPI do Crime Organizado chegou ao fim sem conseguir a extensão de prazo que seus membros desejavam. O colegiado havia solicitado uma prorrogação por mais 60 dias, mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não autorizou o pedido. Com isso, a sessão desta terça-feira se tornou a última reunião oficial da comissão, elevando a tensão em torno da votação do relatório final que ameaça diretamente integrantes da cúpula do Judiciário e do Ministério Público.