Deputadas do PT pedem investigação contra governador de Minas Gerais por uso da expressão “inveja branca”
Quatro deputadas do PT pediram ao MP investigação contra o governador Mateus Simões por uso da expressão inveja branca em evento oficial
Por ContraFatos 22/04/2026 Atualizado em 22/04/2026
Mateus Simões (PSD), governador de Minas Gerais - Cristiano Machado - 16.jan.26/Divulgação Governo de Minas
Parlamentares petistas protocolaram representação no Ministério Público estadual pedindo apuração de injúria racial após fala de Mateus Simões em cerimônia oficial
Quatro deputadas do PT na Assembleia Legislativa de Minas Gerais formalizaram uma representação junto ao Ministério Público estadual contra o governador Mateus Simões (PSD). O motivo: o uso da expressão “inveja branca” durante um evento público realizado na terça-feira, 21 de abril. As parlamentares Macaé Evaristo, Ana Paula Siqueira, Andréia de Jesus e Leninha assinam o documento enviado à Promotoria.
Cerimônia em Ouro Preto foi o palco da declaração
A fala que motivou a ação ocorreu durante a entrega da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto. Na ocasião, Mateus Simões disse ter “inveja branca” do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). O elogio se referia à decisão de Tarcísio de nomear a primeira mulher para o cargo de comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo — atitude destacada positivamente pelo governador mineiro em seu discurso.
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Argumento central: racismo linguístico
De acordo com a Folha, a representação se apoia na tese de que a locução questionada é classificada por especialistas em linguística, sociologia racial e direitos humanos como uma forma de racismo linguístico. O raciocínio é que o adjetivo “branca” estaria associado a algo positivo, enquanto seu oposto carregaria, de maneira implícita, uma conotação negativa — reproduzindo hierarquias raciais enraizadas na língua portuguesa.
O documento apresentado pelas deputadas afirma: “Trata-se de um mecanismo linguístico que reproduz e reforça a hierarquização racial estrutural presente na sociedade brasileira desde a colonização”.
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As parlamentares petistas também destacaram no texto encaminhado ao MP que, até o momento do protocolo da representação, nem o governador nem o governo de Minas Gerais haviam emitido “retratação, esclarecimento ou reconhecimento da conotação racial da expressão”. Até a publicação da reportagem original, o governo mineiro tampouco havia respondido a pedidos de manifestação sobre o episódio.
Pedidos formais ao Ministério Público
A representação solicita que o Ministério Público investigue o caso e, caso identifique conduta penalmente relevante, ofereça denúncia pelos crimes de injúria racial ou racismo.
Além disso, as deputadas pedem que seja levada em consideração a possibilidade de aumento de pena, uma vez que o investigado é agente público no exercício de suas funções. Essa circunstância está prevista na legislação brasileira como agravante e poderia elevar a punição em caso de eventual condenação.