Hung Cao assume interinamente enquanto tensões internas no alto escalão militar americano se intensificam
O cargo de secretário da Marinha dos EUA trocou de mãos nesta quarta-feira, 22, após o Pentágono comunicar a exoneração imediata de John Phelan. O anúncio foi feito pelo porta-voz do Departamento de Defesa, Sean Parnell, que não ofereceu nenhuma explicação para a decisão. O subsecretário Hung Cao foi designado para ocupar a função de forma interina.
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Divergências internas vinham se acumulando há meses
Fontes do Pentágono e do Congresso americano consultadas pelo New York Times revelam que a relação de Phelan com seus superiores estava deteriorada havia algum tempo. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o secretário adjunto, Stephen Feinberg, mantinham discordâncias com o então secretário da Marinha a respeito de decisões sobre gestão de pessoal e sobre o principal programa de modernização naval em andamento.
O atrito chegou a um ponto em que Feinberg retirou de Phelan a condução do projeto de construção de novos navios — iniciativa que incluía um encouraçado batizado com o nome do presidente Donald Trump.
A situação tornava-se ainda mais complexa dentro da própria estrutura da Marinha. Cao, que atuava como vice de Phelan, era visto como alguém mais sintonizado com as diretrizes de Hegseth. Esse alinhamento contribuiu para isolar ainda mais o secretário no posto que chefiava.
Onda de cortes atinge cúpulas das Forças Armadas americanas
A saída de John Phelan se insere em um padrão mais amplo de rotatividade no alto escalão militar dos Estados Unidos. Logo no começo de abril de 2026, o Pentágono já havia dispensado o general Randy George, chefe do Estado-Maior do Exército, nomeado ainda durante o governo Biden. Também nesse caso, Hegseth não apresentou justificativas públicas.
Ao longo de 2025, o secretário de Defesa determinou uma redução de ao menos 20% no número de generais e almirantes de quatro estrelas em atividade. Os afastamentos começaram com a demissão do general Charles Brown Jr., chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, ainda no início daquele ano, e se estenderam a posições na Marinha, na Aeronáutica e na Guarda Costeira.
Hegseth defende “ethos guerreiro” e elimina políticas de diversidade
Em pronunciamentos públicos, Pete Hegseth declarou que os militares americanos precisam de um “ethos guerreiro” e fez críticas ao que denominou “cultura woke” dentro das Forças Armadas. Sob sua gestão, políticas institucionais de diversidade e inclusão foram eliminadas.
Parlamentares do Partido Democrata reagiram com preocupação, classificando o processo como uma politização das instituições militares, que historicamente se mantiveram distantes de disputas partidárias.