Cinebiografia com Jim Caviezel mostra como estruturas de poder reagiram à ascensão de Bolsonaro em 2018
O ator Jim Caviezel, célebre por papéis de forte apelo cristão — como no filme Som da Liberdade —, lidera o elenco de Dark Horse, longa-metragem que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a tumultuada campanha eleitoral de 2018. A produção, que já se encontra em fase final de pós-produção, começou a ser exibida em sessões exclusivas para atrair distribuidoras internacionais.
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Em entrevista ao site norte-americano Deadline, o diretor Cyrus Nowrasteh detalhou a proposta central do projeto. Segundo o cineasta, a essência da obra é a análise de “como sistemas estabelecidos agem para se proteger”. Ele classificou a cinebiografia como um suspense político que coloca o “poder, a mídia e a fé sob ataque”.
Atentado em Juiz de Fora como ponto de partida narrativo
Nowrasteh explicou que o roteiro utiliza o atentado à faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) como estopim de uma verdadeira batalha pela sobrevivência. Na visão do diretor, a obra investiga o exato momento em que um político abandona a condição de capitão reformado e passa a encarnar as esperanças de uma nação contra estruturas viciadas. Essa tensão, segundo ele, não é exclusividade brasileira — trata-se de um fenômeno global.
O cineasta fez questão de ressaltar que a tentativa de assassinato transformou a disputa eleitoral em uma questão que transcendeu a política convencional, tornando-se um embate de resistência física e ideológica ao mesmo tempo.
Filme não busca oferecer respostas prontas ao público
Em suas declarações mais recentes, Nowrasteh enfatizou que o longa não tem a pretensão de entregar conclusões definitivas à audiência. A intenção é mergulhar o espectador no cerco enfrentado por Bolsonaro ao longo da campanha de 2018, revelando até onde órgãos de poder seriam capazes de ir para impedir mudanças indesejadas no comando do país.
Vale lembrar que, no ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão por suposta tentativa de golpe de Estado.
Mário Frias participa do projeto como produtor executivo
O argumento do filme contou com a colaboração de Mário Frias, ex-secretário da Cultura do governo Bolsonaro, que também assina a produção executiva. O roteiro foi construído com o objetivo de capturar a luta pela “verdade e pela alma da nação” em um ambiente de intensa polarização política.
A produção aposta no engajamento do público conservador para impulsionar a bilheteria. Jim Caviezel já demonstrou forte capacidade de mobilizar essa audiência em projetos anteriores com temática de enfrentamento ao sistema, caso do sucesso Som da Liberdade. Com as sessões de exibição já em andamento, os produtores trabalham agora para fechar acordos de distribuição internacional.