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Flávio Dino manda arquivar apuração sobre senador flagrado com R$ 33 mil na cueca

Decisão do STF atende pedido da PGR e transfere demais investigações para a primeira instância

O ministro do Tribunal Federal, , decidiu nesta segunda-feira, 2, encerrar a investigação que tramitava na Corte contra o senador Chico Rodrigues (PSB-RR), envolvido em um episódio ocorrido durante a Operação Desvid-19, deflagrada pela em 2020. À época, o parlamentar foi flagrado com dinheiro escondido na cueca durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão.

A operação teve como foco a apuração de possíveis desvios de emendas parlamentares destinadas ao enfrentamento da pandemia de covid-19. O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação do flagrante.

Pedido da PGR embasou decisão

A decisão de Flávio Dino acompanha integralmente a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou o arquivamento do inquérito no início de janeiro. Para a PGR, a apuração não conseguiu reunir elementos mínimos que comprovassem a intenção do senador de ocultar valores durante a ação policial.

Segundo o entendimento apresentado, os indícios levantados até o momento não justificariam a continuidade do caso no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

Processo segue fora do STF

Além de arquivar a investigação no STF, Dino determinou o envio dos autos à primeira instância. Com isso, eventuais desdobramentos passam a ficar sob responsabilidade da Federal e do Ministério Público Federal em Roraima.

A PGR avaliou que a investigação “alcança densidade indiciária suficiente para cogitar a deflagração de processo crime, ainda que fora do âmbito do Supremo Tribunal Federal, diante da ausência de vinculação funcional-material com o exercício do mandato parlamentar”.

Contexto do flagrante em 2020

No momento em que a operação foi realizada, em 15 de outubro de 2020, Chico Rodrigues exercia o cargo de vice-líder do governo de Jair (PL) no Senado. A Polícia Federal investigava o uso irregular de recursos públicos destinados ao combate à pandemia.

Conforme apuração do Estadão no dia da ação, foram encontrados R$ 33,1 mil dentro da cueca do senador. No total, os valores localizados na residência do parlamentar, em Boa Vista, chegaram a aproximadamente R$ 100 mil.

As investigações também apontaram indícios de irregularidades em contratações custeadas com dinheiro público, que teriam provocado sobrepreço estimado em quase R$ 1 milhão.

Autorização judicial e posição final do ministro

A ordem de busca e apreensão cumprida em 2020 havia sido autorizada pelo então ministro do STF Luís Roberto Barroso, hoje aposentado da Corte.

Ao justificar sua decisão, Flávio Dino reiterou que, sob a ótica da PGR, não há fundamento para a continuidade da apuração no Supremo. Segundo o ministro, “sob a perspectiva da PGR, não há razão para prosseguimento da apuração”.

Em sua conclusão, Dino afirmou:
“Neste momento processual, não vislumbro fundamentos para deixar de atender aos requerimentos do titular da ação penal perante o STF, ressalvando eventual nova análise com a marcha das investigações indicadas pela Procuradoria Geral da República, a se desenvolverem perante a Justiça Federal de Roraima”.

Manifestação do senador

O Estadão procurou o senador para comentar a decisão do ministro Flávio Dino. Até o momento, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

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