Governo israelense afirma que Venezuela integrou “eixo do terror” patrocinado por Teerã
O governo de Israel afirmou nesta segunda-feira (5) que o agora ex-ditador Nicolás Maduro utilizou a Venezuela como plataforma para lavagem de dinheiro do grupo terrorista Hezbollah, com respaldo direto do Irã. A declaração foi feita após a captura de Maduro por forças dos Estados Unidos em uma operação realizada no último sábado (3).
“Maduro liderou um regime terrorista apoiado pelo Irã, utilizando a Venezuela como plataforma para o narcotráfico e a lavagem de dinheiro de redes terroristas do Hezbollah. Posso dizer-lhes que a Venezuela também faz parte do eixo do terror [iraniano]”, declarou Shosh Bedrosian, porta-voz do Executivo israelense, durante sua coletiva diária.
Israel cita bases do Hezbollah e produção de armas iranianas
Bedrosian reforçou a posição do Ministério das Relações Exteriores de Israel, que avalia que a Venezuela “serviu de base para operativos terroristas do Hezbollah e abrigou instalações de produção de armas iranianas”.
A porta-voz também recordou declarações do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, segundo as quais o Irã exporta seu terrorismo para a Venezuela com o objetivo de prejudicar Israel e os Estados Unidos, em conluio direto com o regime de Maduro.
Netanyahu celebra ofensiva dos EUA e mudança de alinhamento regional
No domingo (4), Netanyahu afirmou que “muitos países” da América Latina “estão voltando ao eixo americano”, após os Estados Unidos atacarem alvos estratégicos na Venezuela e capturarem Maduro em Caracas. O premiê israelense também parabenizou o presidente Donald Trump pela operação.
As declarações seguiram a mesma linha adotada pelo ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, que elogiou publicamente Trump e afirmou esperar que, “com o retorno da democracia” à Venezuela, Israel e o país caribenho possam restabelecer relações amistosas.
Mudança no comando venezuelano e reação do chavismo
Após a prisão de Maduro, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) determinou que a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez assuma como presidente interina, decisão alinhada a sinalizações prévias do governo Trump.
Em pronunciamento no sábado, Rodríguez acusou os Estados Unidos de conduzirem “uma operação com o único objetivo de mudança de regime e de se apoderar dos recursos naturais da Venezuela”. Ela acrescentou que a ofensiva americana teve um “tom sionista”.
Ruptura histórica com Israel e cenário da oposição
Desde 2009, quando o então presidente Hugo Chávez rompeu relações diplomáticas com Israel durante a Operação Chumbo Fundido, a Venezuela passou a se posicionar como uma das vozes mais críticas às políticas israelenses em relação aos palestinos.
Em sentido oposto, a líder opositora María Corina Machado tem manifestado apoio à ofensiva israelense em Gaza e afirmou que, se chegar ao poder, pretende estabelecer uma embaixada venezuelana em Jerusalém.