Vídeo: Marco Aurélio critica ‘extravagância’ em cerco do STF a Bolsonaro
Supremo deve liderar com temperança e equilíbrio em tempos de crise", afirma ministro aposentado
Por ContraFatos 08/02/2024 Atualizado em 08/02/2024
Ministro aposentado Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Nelson Jr/STF.
Supremo deve liderar com temperança e equilíbrio em tempos de crise”, afirma ministro aposentado
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, caracterizou a Operação Tempus Veritatis, lançada nesta quinta-feira (8) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), generais e ex-assessores, por investigar uma suposta tentativa de golpe de Estado no Brasil em 2022, como uma extravagância. Durante uma entrevista à Radio Bandeirantes, o antigo integrante da liderança judiciária solicitou que o Supremo sirva de exemplo, mantendo seu papel constitucional, sem ir aos extremos e sem “atropelar meios em nome de um fim”.
Marco Aurélio afirmou que não compreende o motivo da ação da Polícia Federal, finalizou dizendo que o Brasil passa por um período incomum e expressou críticas à emissão de medidas restritivas, como os 33 mandados de busca e apreensão e os quatro de prisões preventivas, similares aos estabelecidos pelo ministro Alexandre de Moraes, dirigidos ao ex-presidente, generais e apoiadores de Bolsonaro.
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Na entrevista em que defendeu que não é prerrogativa constitucional do STF conduzir inquérito criminal nem julgar ações relativas a crimes que deveriam tramitar na primeira instância, ele expressou sua perplexidade. “Sempre entendi que, no Direito, o meio justifica o fim. Você não pode potencializar o fim, e ir atropelando o meio. E o meio precisa ser observado. E observado principalmente pelo Supremo. Porque o exemplo vem de cima”.
O ex-ministro também mencionou que, em tempos de crise, é necessário manter a calma e o equilíbrio. Ele argumentou que é o momento de desacelerar, enfatizando que ações como as tomadas hoje por Moraes requerem evidências concretas relacionadas às atividades criminosas dos indivíduos visados.
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“O país não estará melhor mediante esses extremos. É extremo de um lado quanto a multas aplicadas na Lava Jato; e extremo também de outro lado quanto a atos de constrição. Mas vamos aguardar, nestes tempos estranhos, o que ocorrerá. O que nós tivemos foi uma extravagância. Eu não posso presumir o excepcional, que tudo estaria voltado a um golpe de Estado. Não há espaço no Brasil mais para golpe em si. Nós vivemos em uma democracia, que vai passo a passo sendo robustecida”, disse Marco Aurélio, na entrevista.