Levantamento da Nexus aponta vantagem reduzida de Flávio Bolsonaro na região Sul, em contraste gritante com todos os demais institutos
Um levantamento eleitoral que coloca o presidente Lula (PT) em posição competitiva na região Sul vem gerando questionamentos após a revelação de que a empresa responsável pela pesquisa possui vínculos diretos com o governo federal. A informação foi publicada pela Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder.
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Quem é a Nexus e qual sua ligação com o governo
A Nexus, instituto que realizou o levantamento registrado sob o número BR-01075/26, faz parte do grupo de comunicação FSB, que presta serviços ao governo Lula. Essa relação comercial entre o conglomerado e a administração petista levanta dúvidas sobre a isenção dos dados apresentados.
Números destoantes na região Sul
De acordo com a pesquisa Nexus/FSB, Flávio Bolsonaro (PL) lidera o primeiro turno com 41% contra 36% de Lula no cenário nacional — uma diferença de cinco pontos. No entanto, o dado que mais chamou atenção diz respeito à região Sul: ali, Flávio aparece apenas dois pontos à frente, com 42% contra 40% do presidente.
Essa margem destoa radicalmente de todos os outros levantamentos disponíveis. Os demais institutos de pesquisa registram uma vantagem de até 19 pontos em favor de Flávio Bolsonaro nessa mesma região. Na prática, a pesquisa Nexus/FSB reduziu a vantagem do candidato do PL no Sul em até 90%.
O que dizem os outros institutos
A pesquisa Genial/Quaest, realizada em 15 de abril, mostrou Flávio com 40% contra apenas 23% de Lula na região Sul — uma diferença de 17 pontos percentuais.
Já o levantamento CNT/MDA de 14 de abril apontou Flávio Bolsonaro com 40% e Lula com 28% no Sul, configurando uma distância de 12 pontos.
No Paraná Pesquisa de 2 de abril, os números foram ainda mais expressivos: 49,5% para Flávio contra 30,2% para o atual presidente.
Até mesmo o Datafolha nacional, divulgado em 11 de abril, indica cenário semelhante: no Sul, Flávio soma 39% contra 28% de Lula — 11 pontos de diferença.
Instituto não se pronunciou sobre a discrepância
Procurada para explicar a enorme diferença entre seus números e os de todos os demais institutos na região Sul, a Nexus/FSB não se manifestou. Na melhor das hipóteses, segundo a coluna, trata-se de um erro metodológico. A pesquisa é a única que registra uma vantagem tão reduzida de Flávio Bolsonaro no Sul do país.
O caso reacende o debate sobre a credibilidade de pesquisas eleitorais produzidas por empresas com contratos junto ao governo, especialmente quando os resultados divergem de forma tão acentuada do consenso dos demais levantamentos.