Moraes afirmou em 2018: “Quem não quer ser satirizado fique em casa”
Vídeo de Moraes em 2018 defendendo sátira política ressurge após Gilmar Mendes pedir inclusão de Zema no Inquérito das Fake News do STF
Por ContraFatos 24/04/2026 Atualizado em 24/04/2026
O decano do STF, Gilmar Mendes, e o ministro Alexandre de Moraes, durante um evento no TSE | Foto: Roberto Jayme/TSE
Trecho em que o relator do Inquérito das Fake News exalta a liberdade de crítica volta a viralizar nas redes sociais
Um vídeo antigo do ministroAlexandre de Moraes ganhou força novamente nas redes sociais em meio à polêmica envolvendo o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. No registro, gravado durante a sessão que julgou artigos da Lei Eleitoral em junho de 2018, Moraes faz uma defesa enfática da liberdade de expressão e do direito à sátira contra figuras públicas.
O que disse Moraes na ocasião
Na época, ao votar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.451, transmitida pela TV Justiça, o ministro declarou: “Quem não quer ser criticado, quem não quer ser satirizado fique em casa. Não seja candidato, não se ofereça ao público, não se ofereça para exercer cargos políticos. Essa é uma regra que existe desde que o mundo é mundo”.
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A fala circulou amplamente porque contrasta com a postura atual do próprio STF diante de uma peça satírica publicada por Zema.
O pedido de Gilmar Mendes para incluir Zema no Inquérito das Fake News
O contexto que reacendeu o debate é o pedido formal feito por Gilmar Mendes a Alexandre de Moraes para que o ex-governador mineiro seja incluído no Inquérito das Fake News. O procedimento, relatado por Moraes, foi instaurado há sete anos e é considerado ilegal por dezenas de juristas. Até mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil, habitualmente silente diante de condutas do STF consideradas abusivas, já se manifestou pedindo o arquivamento do inquérito, que chegou a adjetivar como “perpétuo”.
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Vídeo satírico com fantoches motivou a reação do decano
A origem do incômodo de Gilmar Mendes foi um vídeo publicado por Romeu Zema em suas redes sociais. O material utilizava fantoches que simulavam ministros do STF em diálogo, com alusões ao caso do Banco Master. Para o decano, o conteúdo ultrapassou os limites da crítica política.
Na manifestação enviada a Moraes, Gilmar afirmou que o vídeo “vilipendia não apenas a honra e a imagem do STF, como também da minha própria pessoa”. O ministro também sustentou que recursos tecnológicos foram empregados para simular falas inexistentes, classificando o material como resultado de “sofisticada edição profissional” e do uso de “avançados mecanismos de deep fake“.
Motivação política, segundo Gilmar
De acordo com a interpretação de Gilmar Mendes, o vídeo foi produzido com o intuito de desgastar a imagem do Supremo Tribunal Federal e, ao mesmo tempo, promover politicamente Zema, que é pré-candidato à Presidência da República.
A sessão em que Moraes proferiu o voto em defesa da sátira, referente à Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4.451, foi transmitida pela TV Justiça e permanece disponível no YouTube para consulta pública.