IPCA de março surpreende e pressiona estimativas
O IPCA de março veio em 0,88%, superando o que o mercado esperava. O acumulado em 12 meses chegou a 4,14%. Dois grupos foram os maiores responsáveis pela alta mensal: transporte, com variação de 1,64%, e alimentação e bebidas, que avançou 1,56%. Somados, eles responderam por 76% do índice do mês.
O resultado chama ainda mais atenção porque março costuma marcar o início de uma sazonalidade de baixa na inflação. Porém, os reflexos do conflito no Irã inverteram essa dinâmica tradicional.
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Entrar no grupo Meta de inflação sob ameaça: o que dizem as regras
O Conselho Monetário Nacional fixou a meta de inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. Isso coloca o teto da meta em 4,5%. Com a nova projeção de 4,71%, o mercado financeiro já espera que esse limite seja rompido.
Após o dado de março, as medianas do Sistema Expectativas de Mercado passaram a indicar que o IPCA acumulado em 12 meses permanecerá acima do teto de 4,5% por cinco meses consecutivos — de outubro de 2026 a fevereiro de 2027.
Pelo regime de meta contínua, em vigor desde 2025, caso a taxa permaneça acima do limite de tolerância por seis meses seguidos, considera-se que o Banco Central perdeu o alvo inflacionário.
Instituições financeiras ampliam suas estimativas
Diversas casas de análise revisaram suas projeções. O C6 Bank projeta que o IPCA encerre o ano em 4,8%, já acima do teto da meta. A XP Investimentos também ajustou suas expectativas — nomes ligados à instituição veem probabilidade de um IPCA acima de 5%.
No ASA, a projeção, que já estava em 4,6%, deve ser revisada para cima. A AZ Quest, por sua vez, também planeja elevar sua estimativa atual de 4,5%, que era de 3,60% antes do início do conflito.
O que esperar para os próximos anos e demais indicadores
Para 2027, os economistas consultados pelo Banco Central elevaram a projeção do IPCA de 3,85% para 3,91%. Já para 2028, a estimativa permanece estável em 3,6%.
Segundo o mesmo boletim Focus, a Selic deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano. O dólar é projetado a R$ 5,37, enquanto o PIB brasileiro deve crescer 1,85% neste ano.