Autoridades russas prestigiaram a cerimônia
O evento contou com a presença do ministro da Defesa da Rússia, Andrei Belousov, e do presidente da Duma (câmara baixa do parlamento russo), Viacheslav Volodin. O presidente Vladimir Putin não esteve no local, mas fez questão de enviar uma carta expressando “profundo agradecimento” ao regime norte-coreano.
Palavras de Kim Jong-un elevam suicídio a doutrina de Estado
Durante a cerimônia, Kim Jong-un declarou que os heróis do conflito não se limitam àqueles que tombaram na linha de frente. Suas palavras foram além:
“Não só são heróis aqueles que, sem hesitar, escolheram o caminho da imolação e do suicídio para defender o grande honr, mas também aqueles que caíram enquanto carregavam na frente das batalhas de assalto.”
A fala explicita a lógica da doutrina militar norte-coreana: a captura por forças inimigas é tratada como desonra inaceitável. A morte — seja em combate, seja pelas próprias mãos — é apresentada como ato supremo de lealdade ao Estado.
Granadas como instrumento de autodestruição
Antes mesmo do discurso de Kim, informações obtidas por agências de inteligência e relatos de desertores já apontavam que soldados norte-coreanos vinham utilizando granadas e outros explosivos para se matar, evitando a todo custo a captura. A declaração pública do ditador não apenas confirmou essa prática, como a elevou oficialmente à condição de política de Estado.
A lógica por trás da ordem é clara: a vida do combatente vale menos do que os segredos militares e estratégicos que ele poderia revelar caso fosse feito prisioneiro.
Kim também fez questão de exaltar os sobreviventes que retornaram “com o corpo mutilado”, referindo-se a eles como “guerreiros leais ao partido e patriotas”.
Estimativas de baixas e a ofensiva na região de Kursk
De acordo com estimativas do Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul, cerca de 6.000 soldados norte-coreanos morreram ou ficaram feridos durante os combates na região de Kursk, no sudoeste da Rússia.
Pyongyang teria enviado entre 14.000 e 15.000 militares para lutar ao lado das forças russas. A Ucrânia havia deflagrado uma ofensiva surpresa nessa região em agosto de 2024, chegando a ocupar aproximadamente 1.000 quilômetros quadrados de território russo. As tropas ucranianas, no entanto, acabaram expulsas da área.
Kim Jong-un classificou a participação de seus soldados no conflito como:
“Uma nova história de amizade com a Rússia escrita com sangue.”
Aliança militar entre Rússia e Coreia do Norte segue se aprofundando
O envio de tropas norte-coreanas está amparado pelo Tratado de Associação Estratégica Integral, firmado por Kim e Putin em 2024. O acordo prevê uma cláusula de defesa mútua entre os dois países.
Como contrapartida pelos milhares de soldados e pelas dezenas de milhares de contêineres de munição fornecidos, a Coreia do Norte recebeu auxílio econômico e tecnologia militar da Rússia, conforme avaliações da inteligência sul-coreana.
Além disso, Kim e Belousov aproveitaram o encontro para discutir os termos de um novo acordo de cooperação militar cobrindo o período de 2027 a 2031. O movimento indica que a aliança entre Moscou e Pyongyang deve se manter e se fortalecer mesmo após o eventual encerramento da guerra na Ucrânia.