Mulher saudável viajou em segredo à Suíça para morte assistida após perder o filho
Anne Canning não tinha problemas de saúde mas viajou em segredo à Suíça para morte assistida após a perda do filho
Por ContraFatos
28/04/2026 Atualizado em 28/04/2026
Anne Canning — Foto: Reprodução
Anne Canning, de 51 anos, não tinha problemas de saúde, mas enfrentava luto profundo; família só soube da morte dias depois
A imprensa britânica revelou nesta semana mais um caso envolvendo uma pessoa considerada fisicamente saudável que recorreu à morte assistida em uma clínica suíça. Anne Canning, moradora de Pembrokeshire, no País de Gales, viajou secretamente até a Basileia, na Suíça, onde procurou a controversa clínica Pegasos para encerrar sua vida em janeiro do ano passado.
Família acreditava que Anne estava de férias
Quem trouxe os detalhes do caso à público foi Delia, irmã de Anne, de 54 anos. Ela relatou ao jornal “The Telegraph” que a família não fazia ideia das reais intenções da viagem. Todos acreditavam que Anne, de 51 anos, havia ido à Suíça para se recuperar emocionalmente da perda do filho, ocorrida alguns meses antes. Segundo Delia, Anne não apresentava qualquer problema de saúde física, mas estava mergulhada em um luto profundo.
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Delia só foi informada sobre a morte da irmã dias após o procedimento ter sido realizado. A comunicação veio por e-mail, enviado pela própria Pegasos. A experiência foi descrita pela irmã como “como viver em um filme de terror”. Ela também classificou a ausência de aviso prévio como “repugnante” e disse estar revoltada com o fato de a clínica ter submetido Anne ao processo terminal sem antes notificar a família.
Diretrizes suíças recomendam avisar familiares, mas sem força de lei
As diretrizes da Associação Médica Suíça, atualizadas em 2022, estabelecem que a família deve sempre ser informada quando um ente querido planeja passar por morte assistida. No entanto, essas orientações não possuem força de lei, o que significa que clínicas como a Pegasos não são legalmente obrigadas a cumpri-las.
Caso semelhante ocorreu semanas depois
A trajetória de Anne Canning não é isolada. A inglesa Wendy Duffy seguiu caminho semelhante e encerrou sua vida na mesma clínica suíça em 23 de abril, também após a morte de um filho em um trágico acidente. O caso de Wendy reforça o debate sobre os critérios adotados pela Pegasos para aceitar pacientes que não apresentam doenças terminais ou condições físicas debilitantes, mas que enfrentam sofrimento emocional extremo.
As duas histórias reacendem a discussão internacional sobre os limites éticos da morte assistida, especialmente quando envolve pessoas sem diagnóstico de doenças graves e que atravessam momentos de vulnerabilidade psicológica profunda.