Ex-governador de Minas Gerais reafirma plano de privatizar Petrobras e Banco do Brasil e troca farpas com ex-ministro petista nas redes sociais
Uma troca intensa de acusações entre Romeu Zema (Novo) e José Dirceu (PT) tomou conta das redes sociais nesta segunda-feira, 27. O estopim foi uma crítica do ex-ministro petista ao ex-governador mineiro, acusando-o de ter aumentado o próprio salário durante o mandato. A resposta de Zema veio com dureza no X.
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“Doei todo o meu salário de governador, Dirceu. Não entrei na vida pública para enriquecer, ao contrário de certas pessoas”, escreveu o político do partido Novo. Na mesma publicação, Zema compartilhou uma reportagem de 2015 que aborda uma investigação da Polícia Federal sobre o suposto pagamento de R$ 11,8 milhões em propina a Dirceu.
Embate sobre privatização de estatais esquenta o debate
A discussão entre os dois, porém, já havia começado horas antes, em torno de outro tema. Dirceu havia criticado a proposta do ex-governador de privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, caso seja eleito presidente. O petista questionou como essa medida seria apresentada ao agronegócio, setor que tem no BB seu principal financiador.
“Como ele vai contar isso ao agronegócio, que tem como maior financiador o BB? Ou para as famílias brasileiras que vão ver o transporte e alimentos ficaerem mais caros”, escreveu o ex-deputado petista.
Zema não demorou a reagir. Em postagem no X, sustentou que o agronegócio não depende de “estatal para prosperar” e acusou o PT de ter sido responsável por prejuízos bilionários nas companhias públicas.
“Dirceu, eu vou privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, entendeu? A sua receita fracassada de esquerda não deu certo em lugar nenhum do mundo. Chega! Austrália, França e Estados Unidos são grandes potências do agro sem banco ou petroleira estatal. O agronegócio não precisa de estatal pra prosperar, Dirceu. Precisa de crédito barato, segurança jurídica e combustível competitivo. O que afundou o Brasil não foi falta de estatais. Foi o rombo que o PT promoveu nas estatais. Comigo, isso acaba!”, escreveu no X.
Vídeo com diretrizes de campanha antecedeu o bate-boca
A escalada retórica ocorreu poucos dias após Zema lançar as diretrizes do seu futuro plano de governo. No domingo, 26, o ex-governador divulgou um vídeo em que classificou as estatais como empresas que “dão prejuízo” e reforçou a intenção de cortar gastos públicos e eliminar privilégios.
“E vou passar a faca nos supersalários, mordomias e esquemas que sustentam os intocáveis de Brasília”, afirmou Zema no material audiovisual.
Em outro momento da gravação, o político mineiro defendeu a austeridade fiscal como caminho para valorizar a moeda. “O dinheiro só vai voltar a valer se o governo economizar. O dinheiro que o governo Lula gasta, eu vou economizar. Simples assim”, acrescentou o ex-governador de Minas Gerais.
Zema também reiterou que “privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil é decisivo para o nosso futuro” e encerrou o vídeo com uma síntese do que pretende levar como bandeira de campanha:
“Privatizar, poupar, não roubar, prosperar. Esse é o plano e ele é implacável.”