Aos 39 anos, Alexander assumiu recentemente a liderança da fundação global, que possui ativos avaliados em US$ 25 bilhões. O cargo era ocupado antes por seu pai, o bilionário George Soros, de 95 anos, conhecido mundialmente por financiar pautas progressistas.
Encontros políticos no Brasil
Durante visita a Brasília na semana passada, Alexander Soros se reuniu com integrantes do governo, entre eles os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente), Anielle Franco (Igualdade Social) e o assessor internacional Celso Amorim. Também encontrou os deputados Erika Hilton (Psol-SP) e Túlio Gadêlha (Rede-PE) e participou de um evento no BNDES, no Rio de Janeiro.
Segundo ele, é “indiscutível” que o objetivo de Trump em relação ao Brasil seja uma “mudança de regime”, visando pressionar a saída de Lula da Presidência:
“Tudo isso é direcionado ao atual governo brasileiro”.
Acusações contra Eduardo Bolsonaro e defesa da soberania
Alexander afirmou ainda que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) estaria “ditando aspectos da política dos EUA para o Brasil” e que não há possibilidade de negociação com Trump:
“Lula teria de deixar de ser Lula para que isso acontecesse, e o Brasil teria de ceder em sua soberania”.
Ele comparou a atuação de Trump à de Vladimir Putin na Ucrânia e ressaltou a importância das alianças multilaterais como forma de proteger a autonomia nacional. Alexander também criticou a influência das big techs:
“Minha esperança é que o Mercosul e a UE façam alianças para proteger a soberania digital, defender os direitos dos governos de enfrentar as grandes empresas de tecnologia. As big techs são, hoje, mais poderosas que países”.
Financiamento de pautas progressistas no Brasil
Na entrevista, Alexander Soros admitiu que a Open Society Foundations financia projetos de “inclusão democrática, empregos verdes e justiça climática” no Brasil. Segundo ele:
“Trabalhamos com movimentos feministas e de minorias aqui, também tentamos ajudar com redução de danos [em dependência de drogas] e soluções comunitárias para o crime”.
A entidade também atua em parceria com organizações na Amazônia para conciliar crescimento econômico e preservação ambiental.
Entre os grupos financiados está a Sleeping Giants Brasil, que promove boicotes contra empresas alinhadas ao conservadorismo. Fora do país, a fundação apoia a Planned Parenthood (rede de clínicas de aborto nos EUA) e ativistas como Greta Thunberg, recentemente envolvida em expedições no Oriente Médio em apoio à Palestina.
Apoio à esquerda nos EUA
Nos Estados Unidos, Alexander afirmou que parte da esquerda tem como prioridade as eleições de meio de mandato de 2026, vistas como estratégicas para conter Trump. Ele citou elogiosamente a “energia” de Zohran Mamdani, candidato socialista à Prefeitura de Nova York, que já defendeu boicote a Israel.
Além disso, destacou a importância de investimentos em mídia e comunicação por parte de democratas ricos, a fim de fortalecer veículos de viés progressista diante da vantagem da mídia conservadora.